quarta-feira, 1 de setembro de 2010

GAC - a discografia

Na sequência da reedição dos discos do GAC Grupo de Acção Cultural Vozes na Luta, apresentamos uma discografia do grupo, segundo CORREIA, Mário – Música Popular Portuguesa um ponto de partida; Coimbra: Centelha, 1984.

Alerta/Em vermelho em multidão (single-1975)
• Aos soldados e marinheiros/Ronda do soldadinho (single-1975)
• A cantiga é uma arma/Viva a Guiné-Bissau (single-1975)
• A luta dos bairros camarários/A luta do Jornal do Comércio (single-1975)


A cassete “Cantos de Luta”, que agrupa os 4 primeiros singles
A Internacional/Classe contra classe (single-1975)
• Até à vitória final/O exército do povo (single-1975)
• O poder ao lado do povo/Zé Diogo (single-1975)
• A Cantiga É Uma Arma (LP-1976)*
• Pois Canté! (LP-1976)*
• …E Vira Bom! (LP-1977)*
• …Ronda da Alegria! (LP-1978)*


Os álbuns referenciados com * são os agora reeditados em CD, os quais não conseguem, contudo, dar a real “dimensão gráfica” dos originais LP. No caso do disco “Pois Canté” essa distância é mais saliente. Veja-se:

Capa


"Folha" central


Contracapa

Cartaz (em encarte)

Dossiê (outro encarte), contendo 2 textos: “Plataforma do Grupo de Acção Cultural no Plano Artístico” e “Pois Canté!! Notas sobre as Canções, Abril 1976”


Para finalizar, a 2.ª edição do livro “Cantos de Luta”, que contém 40 canções de luta” do Grupo de Acção Cultural Vozes na Luta: GAC – Cantos de Luta; Lisboa: Cooperativa Cultural “Vozes na Luta”, s/ data.



segunda-feira, 30 de agosto de 2010

GAC – Grupo de Acção Cultural Vozes na Luta

Foram editados no passado mês de Maio os quatro discos-chave do GAC – Grupo de Acção Cultural Vozes na Luta.

Como se recordarão os “mais antigos”, o GAC foi uma (como se diria hoje) banda, formada no final de Abril de 1974, que juntou na sua fase inicial músicos como Zeca Afonso, Fausto, José Jorge Letria, Manuel Alegre e Sérgio Godinho.

Na altura a designação era CAC – Colectivo de Acção Cultural, tendo ainda em 1974 sido alterado o seu nome para GAC, na sequência do abandono do grupo por parte dos seus músicos pelo facto do Grupo se ter associado à UDP.

A documentação sobre o GAC, nomeadamente a patente na Internet, é vasta; transcrevemos de seguida parte de um texto de Luís Leal Miranda (http://www.ionline.pt/conteudo/58036-gac-quando-cantiga-era-uma-arma-eles-formaram-um-exercito) para “abrir o apetite”:


Quando o Grupo de Acção Cultural terminou a sua carreira, no
início de 1979, tinha editado quatro discos, vários singles e um EP de marchas
populares com letras adaptadas aos temas da esquerda revolucionária. Havia ainda
uma carrinha em que viajavam pelo país e uma sede com uma despensa cheia de LP,
sobras de cinco anos de canções. A carrinha foi vendida para pagar o passivo do
grupo (quatrocentos contos), a sede no Bairro Alto converteu-se num restaurante
e centenas de discos foram abandonados num descampado nos arredores de Lisboa.

(…)

De pé, ó vítimas da fome É já como Grupo de Acção Cultural
que a banda percorre o país a tocar em fábricas, piquetes de greve, empresas em
autogestão, comissões de moradores e comícios. Sempre à borla. "Cheguei a ficar
sem comer depois de um concerto por não ter dinheiro", recorda Carlos Guerreiro,
membro do GAC de 74 a 79, e fundador, em 1991, dos Gaiteiros de Lisboa.

Guerreiro esteve na gravação do primeiro disco - como corista do
Incrível Almadense - e continuou no grupo até à sua dissolução. "Entrei como
anónimo e saí como músico do GAC. Foi a minha escola", recorda o músico, que era
apenas um grão de areia num mar de gente. Nos seus tempos áureos, o GAC chegou a
ter cerca de 80 membros. "Talvez mais", recorda Carlos, "Hoje em dia há pessoas
que dizem que fizeram parte do GAC e não os conheço nem nunca os vi." Durante o
PREC (Processo Revolucionário em Curso) era possível assistir a um concerto do
GAC às 21h00 no Funchal, às 22h00 em Viseu e às 22h30 em Lisboa. O fenómeno não
se deve ao teletransporte, mas à multiplicação dos cantores-militantes.
"Tínhamos núcleos no Norte, Centro e Sul; houve alturas em que tocávamos todos
ao mesmo tempo", recorda Guerreiro. Mas havia também um fenómeno de imitação que
fazia com que em várias colectividades surgissem os mini-GAC. Era fácil e
barato. Senão vejamos.

As exigências para tocar ao vivo eram poucas: um
palco e uma plateia chegavam - às vezes sobravam. "Cheguei a dar um concerto na
Madeira em que era só eu e uma guitarra", recorda Carlos. A formação-tipo do GAC
era composta por um guitarrista e um coro - daí a portabilidade do grupo.

Em estúdio era tudo diferente. A maioria dos membros do GAC (as tais
dezenas) não cabiam nos locais de gravação e as sessões acabavam por ficar a
cargo de um grupo reduzido de músicos profissionais convidados - mas nem sempre
pagos. O processo de lançamento do disco era todo ele autónomo (independente, na
linguagem de agora), sendo as rodelas de vinil vendidas ao preço mais baixo
possível. Foi o que aconteceu com "A Cantiga É Uma Arma", primeiro disco lançado
em 1975.

Cassetes para os camaradas Avizinhava-se o congresso da UDP e
as canções do GAC estavam na ponta da língua dos portugueses. Com concertos
esgotados mas sem um disco para vender, havia que transformar a fita onde
estavam as canções de "A Cantiga é uma Arma" em algo que se pudesse vender
depois do comício. "Fomos à Sasseti nas Amoreiras, uma editora que estava em
autogestão e era solidária com a UDP. Ocupámos aquilo e estivemos 48 horas sem
parar a fazer cassetes a partir do master para vender naquele dia", contou
Carlos Guerreiro. Dos 5 mil exemplares produzidos, foram vendidos todos, um por
um, nesse dia. Um número que até hoje deve ser recorde de vendas nacional.

Canções ou manifestações Carlos refere-se ao GAC como "um partido
político cultural" e a "Enciclopédia da Música em Portugal no Século XX".
Descreve as canções do grupo como "propaganda ideológica". A banda esteve desde
cedo associada à UDP e a mensagem política tinha tanto ou mais importância que a
música. Ao voltar a ouvir estes discos - que estão de volta aos escaparates
desde o dia 1 de Maio, exactamente 36 anos depois da sua fundação -, os músicos
não podem deixar de sentir alguma nostalgia e de sublinhar a ingenuidade desses
tempos: "Hoje, musicalmente não é coisa que me erice os epitélios, mas reconheço
o seu valor. Tem coisas que só dão vontade de rir, como palavras de ordem
marteladas para dentro de canções populares que não têm nem deviam ter carga
ideológica nenhuma", sublinha Guerreiro.

(…)

Mas este post pretende principalmente chamar a atenção para a reedição dos álbuns do GAC, cujas capas e contracapas apresentamos de seguida:














Os álbuns vão certamente esgotar rapidamente, pelo que recomendamos vivamente que “abra os cordões à bolsa”.

Sugerimos ainda que compre os 4 CD’s com “menor pegada ecológica”, bem perto de si: na Taverna dos Trovadores (http://tavernadostrovadores.blogspot.com), em S. Pedro de Sintra (no topo superior do largo da feira), da qual o seu gestor foi exactamente do GAC – o Fernando Pereira, da “Real Companhia”.

domingo, 11 de julho de 2010

Rádio Clube Português, o fim de um projecto de qualidade

O Rádio Clube Português na sua forma actual encerra hoje à meia-noite, pondo fim a um projecto inovador e de qualidade iniciado há 7 anos, e deixando no desemprego 36 dos seus trabalhadores.

Os mais velhos lembram-se todos do RCP na noite de 24 para 25 de Abril de 1974, passando a primeira senha da revolução - "Depois do Adeus".

Após várias "oscilações", o velho Rádio Clube é comprado pelo grupo espanhol Prisa e integrado na cadeia "Média Capital Rádio".

Em 2003 reabre pelas mãos de Luís Osório em 2003, com um projecto inovador no panorama nacional, "uma rádio de palavra" com grande qualidade.


Não resistiu a mais esta crise do capitalismo, à voragem do lucro e da estupidificação das "massas"...

Não resisti também a deixar uma mensagem no site do RCP (pode-se fazê-lo até às 23H59 de hoje em http://radioclube.clix.pt/noticias/body.aspx?id=25791).

Mais uma ajuda na grande via da estupidificação do "povoléu". Não chegam as TVI's e quejandos, é preciso estender os tentáculos aos últimos redutos da comunicação de/com qualidade. O fim de um projecto inovador tripulado por uma equipa de profissionais com "P" maiúsculo, como se pode comprovar (também) pela grande dignidade das emissões destes últimos dois dias. Coragem, não é mesmo o "fim da história"...


A notícia do encerramento:

O Rádio Clube Português, tal como é hoje, desaparece este domingo, às 23h59. A Direcção e a Equipa agradecem a fidelidade, o apoio e o entusiasmo dos milhares ouvintes que nos acompanharam ao longo destes anos, todos os dias, de manhã à noite. A Rádio foi, é e será sempre um imenso Rádio Clube