domingo, 20 de março de 2011

Os GDUP em Algueirão Mem Martins - 3


Concluimos esta primeira divulgação de elementos da actividade dos GDUP-Grupos Dinamizadores da Unidade Popular em Algueirão-Mem Martins com a apresentação do n.º 2 do "Boletim Informativo do GDUP de Algueirão-Mem Martins", certamente de 1976 (se tiver aí no sótão outros números deste boletim faça o favor de avisar).

domingo, 13 de março de 2011

Os GDUPS em Algueirão-Mem Martins - 2

Em post anterior caracterizamos sumariamente os GDUP-Grupos Dinamizadores de Unidade Popular e apresentamos alguns documentos elaborados na freguesia de Algueirão-Mem Martins à volta da candidatura de Otelo Saraiva de Carvalho às eleições presidenciais de 1976, bem como ao Congresso dessa organização política.

Desenterramos agora documentos referentes às eleições autárquicas de Dezembro de 1976. Recordamos que na freguesia de Algueirão-Mem Martins os GDUP obtiveram nessas eleições 5,3 % dos votos para a Câmara Municipal e 6,1 % para a Assembleia Municipal.



Eleições autárquicas:

  • Comunicado/manifesto de 17.Set.1976 da Comissão Eleitoral Unitária de Algueirão-Mem Martins (comunicado n.º 1) - 2 páginas A4 (frente e verso)


  • Comunicado n.º 2 de 23.Set.1976 do GEUP-Grupo Eleitoral de Unidade Popular (a designação "Comissão Eleitoral Unitária" já estava "patenteada" pela APU/PCP) - 2 pág. A5 (frente e verso)


  • Comunicado n.º 3 do GEUP, s/ data (datável a Setembro.1976) - 1 pág. A5

  • Comunicado n.º 4 do GEUP, s/ data (datável a Outubro.1976) - 1 pág. A5

  • Programa e lista eleitoral, s/ data (Out/Nov.1976?) - 2 pág. A4 (frente e verso)






Recuperamos ainda mais dois ou três documentos elaborados no concelho de Sintra relativos às eleições presidenciais de 1976:







Mais informações sobre os GDUP (fidedignas - a Wikipédia neste caso não o é) podem ser obtidas no blogue de Pacheco Pereira - http://ephemerajpp.wordpress.com/2009/12/31/grupos-dinamizadores-da-unidade-popular-gdups/ e no sítio do Centro de Documentação 25 de Abril -
http://www1.ci.uc.pt/cd25a/wikka.php?wakka=Espolio10.

Os GDUP em Algueirão-Mem Martins


Os GDUP- Grupos Dinamizadores de Unidade Popular foram uma organização política criada em 1976 em torno da candidatura de Otelo Saraiva de Carvalho à Presidência da República.

Essas primeiras eleições presidenciais após o 25 de Abril de 1974 tiveram lugar a 27 de Junho de 1976, sendo candidatos Ramalho Eanes (o vencedor, apoiado pelo CDS, PPD, PS, PPM, PCP-ml e MRPP, com 61,59 % dos votos), Otelo (com 16,46 %), Pinheiro de Azevedo (14,37 %) e Octávio Pato (PCP 7,59%).

Emblema da candidatura de Otelo


Os GDUP constituem-se então à volta da candidatura de Otelo, com apoio de partidos então designados como de "extrema esquerda": UDP-União Democrática e Popular, MES-Movimento de Esquerda Socialista, FSP-Frente Socialista Popular e PRP-BR Partido Revolucionário do Proletariado-Brigadas Revolucionárias.

Esses Grupos virão a constituir-se como partido político em Outubro de 1976, concorrendo nessa condição às eleições autárquicas de 12 de Dezembro de 1976, onde viriam a obter apenas 2,44 % a 2,54 % dos votos. O/os GDUP é extinto em Dezembro de 1977.

Na freguesia de Algueirão-Mem Martins os GDUP tiveram razoável expressão, eleitoralmente bastante acima da média nacional: nas eleições autárquicas os resultados forma de 5,3 % para a Câmara Municipal e de 6,1 % para a Assembleia Municipal. A expressão "efectiva" era também elevada, merecendo, designadamente grande apoio dos trabalhadores e operários das grandes fábricas (ainda as havia, na altura).
Dos arquivos desses tempos retiramos alguns folhetos sobre a campanha eleitoral para as presidenciais e o congresso dos GDUP; num segundo post apresentaremos elementos sobre os GDUP nas autárquicas de 1976 em Algueirão-Mem Martins.
- Eleições presidenciais:
  • Folheto/convocação de sessão de 01.Jun.1976 do Pró-GDUP de Algueirão-Mem Martins - 2 pág. A5 (frente e verso)
  • Folheto/convocação de sessão, s/ data (datável a Jun.1976), do Pró-GDUP da MESSA - 1 pág. A5

Autocolante da candidatura de Otelo

- Congresso dos GDUP (Nov.1976):


  • Folheto/convocação de sessão, s/ data mas datável de Set.1976

Autocolante do congrsso do GDUP

sábado, 26 de fevereiro de 2011

A Granja do Marquês nas revoltas contra o salazarismo. Palma Inácio

A propósito do último número da revista Visão História (n.º 11, Fevereiro 2011), dedicada às “Conspirações contra o regime”, paramos um pouco no dia 10 de Abril de 1947, na designada “Abrilada”.

Tratou-se de mais uma conspiração militar contra o salazarismo, na qual intervieram também civis, designadamente João Soares (pai de Mário Soares) e Palma Inácio.

A história desta revolta é contada numa nota cronológica (pág. 18) e nos artigos “O milionário e o golpe” (pág. 32 e 33) e “O aventureiro da liberdade perdida” (pág. 74-80), este último apresentando um excelente resumo biográfico do revolucionário Palma Inácio.

Mas o aspecto que nos interessou sobremaneira foi que um dos palcos desse golpe se passou aqui perto de nós, na Granja do Marquês, também conhecida por Base Aérea n.º 1.

Segundo a Visão, “os operacionais Palma Inácio (então trabalhador da Base Aérea nº 1) e Gabriel Gomes ainda sabotaram 28 aviões em Sintra, incluindo o Dakota do ministro Santo Costa (…)”. Santos Costa era o então ministro da Guerra.

Mas para conhecermos melhor a história da passagem de Palma Inácio e da “Abrilada” na Granja do Marquês socorremo-nos agora de excertos de um texto de Eduardo Mayone Dias (eduardomdias@sbcglobal.net) publicado no jornal The Portuguese Times, intitulado “Palma Inácio, revolucionário e aventureiro”:


(…)
Hermínio da Palma Inácio nasceu a 29 de Janeiro de 1922 em Ferragudo, então uma pequena aldeia de pescadores da costa algarvia, filho de um humilde operário ferroviário de escassas letras mas de firmes convicções sindicalistas.

Terminado em Silves o curso secundário industrial, alista-se aos dezoito anos na Aeronáutica Militar e é destinado à Base Aérea nº1, na Granja do Marquês, Sintra. Aí completa o curso de mecânico e atinge o posto de sargento. Consegue também o brevet de piloto civil. Durante o serviço militar estabelece relações com alguns oficiais desafectos ao regime salazarista e, curiosamente, também com um nesse tempo fervoroso apoiante do Estado Novo, o Capitão Humberto Delgado.(…)

A primeira operação

Palma Inácio envolve-se entretanto em actividades antigovernamentais e a 10 de Abril de 1947 é um dos participantes na "abrilada", um plano de golpe de estado pela Junta Militar de Libertação Nacional, dirigido pelo Almirante Mendes Cabeçadas com a colaboração de vários oficiais superiores, entre eles o General Marques Godinho. A insurreição iria iniciar-se na região de Tomar e determinaram-se precauções para neutralizar unidades militares que se pudessem opor ao movimento. Uma destas precauções consistia em imobilizar os recursos da Base Aérea da Granja do Marquês, onde Palma Inácio havia prestado serviço.

Bom conhecedor do terreno, encaminha-se pois para aí na companhia de outro mecânico, Gabriel Gomes, e entre os dois cortam os cabos de comando de 28 caças e de um Dakota utilizado pelo Ministro da Guerra, Santos Costa, para as suas deslocações oficiais.

A conjura é cancelada à última hora e a polícia lança uma vaga de prisões. Na iminência de ser detido, o jovem revolucionário refugia-se numa casa de Lisboa e depois numa quinta em Odivelas, onde aparenta ser estudante em férias.
(…)


Palma Inácio foi o mais destacado militante da LUAR-Liga de União e Acção Revolucionária, organização revolucionária armada nascida em 1967 e extinta alguns anos após o 25 de Abril de 74; faleceu em 2009.