domingo, 28 de agosto de 2011

DIAS MEDIEVAIS EM CASTRO MARIM



De 25 a 29 de Agosto decorrem em Castro Marim os “Dias Medievais”.

Esta louvável iniciativa da Câmara Municipal de Castro Marim traz à simpática vila algarvia do Guadiana muitos milhares de turistas, nacionais e estrangeiros, que participam activamente nas múltiplas iniciativas destes Dias Medievais.


É evidente o esforço da autarquia no envolvimento da comunidade local – associações recreativas e culturais locais, escolas, artesãos, comerciantes –, mas também nas parcerias com entidades e associações de outros países (Espanha, França, Itália), com resultados muito positivos.


Um exemplo de boas práticas que envergonha certamente muitas outras autarquias de muito maior dimensão – os meus filhos referem a “pifieza” das feiras medievais de Sintra, protagonizadas por meia dúzia de freaks espanhóis” – eu não concordo, fui adolescente nos anos 70, não podia ter nada contra os freaks).


O programa dos Dias Medievais Bilhete
Caneca e coroa – incluídos no bilhete de entrada (5 €)
Pacotes de açúcar alusivos

Cinema o ar livre – Largo 1.º de Maio, 23 de Agosto



Aspectos dos desfiles, feira e animação de rua - 25, 26 e 27 de Agosto




Concerto dos Galandum Galundaina - 25 de Agosto (ver outro post)



segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Festival Intercéltico de Sendim


Nos passados dias 5 e 6 de Agosto realizou-se em Sendim, Miranda do Douro, a XII edição do Festival Intercéltico de Sendim (http://www.intercelticosendim.com/ http://www.facebook.com/#!/pages/FESTIVAL-INTERCELTICO-DE-SENDIM/113402508681443?sk=info), o mais antigo festival de música folk do país.


Este festival realiza-se ininterruptamente desde 2000 na vila de Sendim, sendo recentemente incluído pelo Fórum Europeu de Festivais de Música Folk no roteiro dos principais festivais do género que se realizam na Europa.

A produção e organização é da conta do "Centro de Música Tradicional Sons da Terra", também sediada em Sendim e da qual faz parte Mário Correia, conhecido etnomusicólogo português (autor e editor de livros sobre música tradicional e popular portuguesa, ex-director da revista "Mundo da Canção", colaborador no "Povo que Canta", etc.).

Este ano a edição do festival "dedicou-se" às linguas minoritárias - onde se integra a "língua materna" de Sendim, o Mirandês -, contando com a participação de artistas da Bretanha, Euskadi/País Basco, Astúrias, Irlanda, para além de Portugal.



GWENNYN, Bretanha - 05.Ago.2011

XABI ABURRUZAGA, Euskadi - 05.Ago.2011

PAULITEIROS DE SENDIM - 05.Ago.2011


CÉLIO PIRES & AMIGOS, Sanfonices: Romances Tradicionais, Casa da Cultura de Sendim - 06.Ag02011

Oficina de Danças Tradicionais 06.Ago.2011

Gaiteiricos de Sendim - 06.Ago.2011

Três gerações de Gaiteiros de Sendim - 06.Ago.2011



CORQUIEU, Astúrias - 06.Ago.2011


NÉ LADEIRAS, Portugal - 06.Ago.2011





Para além, naturalmente, de um bom programa, um festival de "boas práticas" na promoção da música de cariz tradicional e popular, de envolvimento da comunidade local, de naturalidade e simpatia. Ficamos fãs!


Até para o ano!




domingo, 14 de agosto de 2011

Senhora do Almortão

"Senhora do Almortão" é uma canção tradicional da Beira Baixa imortalizada por José Afonso em alguns dos seus álbuns, nomeadamente em "Cantares do Andarilho" (1968).



Senhora do Almortão
ó minha linda raiana
virai costas a Castela
não queirais ser castelhana

Senhora do Almortão
a vossa capela cheira
cheira a cravos, cheira a rosas
cheira a flor de laranjeira

senhora do Almortão
eu pró ano não prometo
que me morreu o amor
ando vestida de preto




No passado dia 2 de Agosto fomos ao santuário da Sra. do Almortão, situado a cerca de 6 km de Idanha-a-Nova. Algumas fotografias:


Aspecto do recinto do santuário



Entrada principal da capela



Alpendre na entrada principal



Vitral do alpendre da entrada principal da capela



Interior da capela



Aspecto do altar com a imagem da Sra. do Almortão



Ex-voto


Ex-voto




Do site da AJA-Associação José Afonso (http://www.aja.pt/?page_id=3263), o "verso dos versos":


Senhora do Almortão
A 1ª versão fonográfica desta peça emblemática do “Canto e da Guitarra de Coimbra” na década de 1920 foi gravada em Lisboa, no mês de Dezembro de 1929, por Edmundo Alberto Bettencourt, acompanhado em Guitarra Toeira de Coimbra de 17 pontos por Artur Paredes e Afonso de Sousa e, em violão aço, por Mário Faria da Fonseca: discos de 78 rpm Columbia, BL 1005 e GL 108 – WP 634. A etiqueta do disco contém as seguintes indicações: “Canção da Beira-Baixa” e “Arranjo de Arthur Paredes”. Em boa verdade, estamos perante duas canções tradicionais raianas cujas melodias foram acopladas, como aliás o próprio título do fonograma original sugere: SENHORA DO ALMOTÃO, uma, e SENHORA DA PÓVOA, outra, ambas da Beira-Baixa, reunidas numa só, tipo suite, funcionando a 2ª como refrão.
Quem primeiramente divulgou estes dois temas em Coimbra, a partir de 1915, foi o barítono, sócio do Orfeon Elias de Aguiar e membro do Grupo de Artur Paredes, José Roseiro Boavida. Boavida interpretava as duas canções separadamente, por vezes auto-acompanhando-se no violão de acordas de aço, e mantendo-se dentro das versões tradicionais. Com a entrada de Bettencourt para o Grupo de Artur Paredes, na transição de 1922 para 1923, as duas canções foram adaptadas ao estilo de Coimbra e coladas, passando a ser cantadas por Bettencourt: compasso ternário (3/4), primeira parte em Sol menor e “refrão” festivo em Ré Maior.
Na “versão Bettencourt”, gravada em 1929, há diferenças de título, de tonalidade, de letra e de arranjo de acompanhamento, em comparação com a versão gravada por José Afonso em 1981. Em Bettencourt, o título original e integral é “Senhora do Almotão e Senhora da Póvoa”. Na 1ª copla não se observam discrepâncias. Porém, na 2ª, José Afonso modifica substancialmente o 2º verso (“Minha tão linda arraiana” passa a “Ó minha linda raiana”), vertendo as conjugações verbais da 2ª pessoa do singular (“vira”, “queiras”) na 2ª pessoa do plural (“virai”, “queirais”). O mesmo procedimento se observa logo no 1º verso da 3ª estrofe. José Afonso, na gravação de 1981, interpreta este tema em compasso ternário (3/4), tom e meio abaixo de Bettencourt, com a 1ª parte em Mi menor e o refrão em Si Maior. O cantor foi servido por um belíssimo arranjo de guitarra concebido por Octávio Sérgio, de belo efeito auditivo na introdução, no intervalo entre a 3º e a 4º estrofes e no remate. Se no registo de 1981 já se notavam em José Afonso sinais de degenerescência vocal, tais sintomas surgem bastante agravados pela progressão da doença na gravação ao vivo de “Senhora do Almortão” durante o concerto no Coliseu de Lisboa, realizado em 29 de Janeiro de 1983. “Senhora do Almortão” é a 3ª das cinco peças integradas no LP “José Afonso ao vivo no Coliseu”, DIAPASÃO, DIAP 16050/1, ano de 1983, Disco 1, Lado A, faixa nº 3. Os acompanhamentos são feitos por Octávio Sérgio/Lopes de Almeida (gg) e António Sérgio/Durval Moreirinhas (vv). Posteriormente a referida antologia vinil foi remasterizada em compact disc: CD “Zeca Afonso no Coliseu”, Strauss, ST 1021010035, ano de 1993.
A Senhora do Almotão, venerada em Idanha-a-Nova, tem a sua festa 15 dias após a Páscoa. Em tempos antigos, esta canção não se cantava com refrão mas, ultimamente, têm-lhe acrescentado algumas formas de refrão. A canção tem variantes, podendo a melodia ser em tom maior ou em tom menor. Conforme se disse, no disco de Bettencourt consta Almotão e não Almurtão. Uma outra forma de grafia popularizada é Almortão. Todas são correctas mas, a primeira parece-nos preferível.
A Senhora da Póvoa, festejada na antiga aldeia de Vale de Lobo, hoje Vale da Senhora da Póvoa, Concelho de Penamacor, recai na 2ª feira de Pentecostes. A canção em epígrafe também tem variantes musicais e literárias.
Existe transcrição musical da versão popular da “Senhora do Almurtão” em Rodney Gallop, “Cantares do Povo Português”, Lisboa, Instituto de Alta Cultura, 1960, págs. 94-95; idem, Michel Giacometti e Fernando Lopes Graça, “Cancioneiro Popular Português”, Lisboa, Círculo de Leitores, 1981, versão de Idanha-a-Nova, em compasso 2/4 e tom de Fá menor (reprodução em Rosa Maria Torres, “As canções tradicionais portuguesas no ensino da música”, Lisboa, Caminho, 1998, pág. 174; idem, para a versão de Penamacor, págs. 186-187). Há solfas, com variantes, da Senhora da Póvoa, em Rodney Gallop, “Cantares do Povo Português”, Lisboa, 1960, págs. 100-101. Uma versão da Senhora da Póvoa”, de Atalaia do Campo, consta em Fernando Lopes Graça, “A canção popular portuguesa”, 4ª edição, Lisboa, Caminho 1991, pág. 158 (1ª edição de 1953).
José Afonso conhecia uma das versões melódicas populares locais de “Senhora do Almortão”, tendo efectuado a respectiva gravação no LP “Cantares de Andarilho”, Porto, Orfeu RT LP 18029, ano de 1968, Face B, Faixa nº 4, acompanhado à viola por Rui Pato. Por seu turno, a versão melódica gravada por Bettencourt aparece com notação musical manuscrita em Carlos Manuel Simões Caiado, “Antologia do Fado de Coimbra”, Coimbra, 1986, págs. 164-165, verificando-se na referida solfa omissão de notas musicais. A letra impressa na pág. 164 também não corresponde inteiramente ao fonograma Bettencourt.
A gravação de Edmundo Bettencourt encontra-se disponível em vinil: LP “Fados de Coimbra – Edmundo Bettencourt”, Lisboa, EMI 2402451, ano de 1984, Lado 1, faixa nº 1, e em cassete. Este trabalho de remasterização não identifica os instrumentistas que são Artur Paredes/Afonso de Sousa (gg) e Mário Faria da Fonseca (violão), o que é pena, pois o arranjo de Artur Paredes é magnífico e pioneiro para a época. Obra disponível também em compact disc:
-Heritage, “Fados from Portugal”, HT CD 15, Londres, Interstate Music, 1992;
-“Arquivos do Fado”, Macau, Tradisom, Vol. II, TRAD 005, ano de 1994, faixa nº 1, cópia da edição londrina Heritage;
-Col. “Um Século de Fado”/Ediclube, CD Nº 1, EMI 7243 5 20633 2 1, de 1999;
-CD “O Poeta e o Cantor”, 560 5231 0047 2 5, Valentim de Carvalho, ano de 1999, Faixa nº 5.

Vários cantores gravaram esta linda canção mas, por vezes, a letra aparece a(du)lterada, incluindo versões impressas em livro, consequência de aprendizagens de outiva.

A gravação de José Afonso, correspondente à versão agora transcrita, encontra-se nos seguintes suportes:
-LP “José Afonso. Fados de Coimbra e outras canções”, Porto, Orfeu, 1981.
-LP “José Afonso. Fados de Coimbra e outras canções”, Riso e Ritmo Discos, Lda., RR LP 2188, ano de 1987, Face A, faixa nº 3, indicando na contracapa os nomes de Octávio Sérgio/Durval Moreirinhas (disco que em 1987-88 se vendia a 1.240$00);
-CD “José Afonso – Fados de Coimbra”, Movieplay, SO 3003;
-CD “Fados e Guitarradas de Coimbra”, Lisboa, MOVIEPPLAY, MOV. 30.332-B, ano de 1996, disco nº 2, faixa nº 1, sendo a recompilação orientada por José Niza;
-CD “Fados de Coimbra e outras canções”, Lisboa, Movieplay, JA 8011, ano de 1996, faixa nº 3.
A gravação do concerto dado no Coliseu de Lisboa em 1983 veio editada no LP “José Afonso ao vivo no Coliseu”, DIAPASÃO, DIAP 16050/1, ano de 1983, Lp 1, Lado A, faixa nº 3; idem, CD “Zeca Afonso no Coliseu”, STRAUSS, ST 1021010035, ano de 1993; também na cassete “Zeca Afonso ao vivo no Coliseu”, STRAUSS, ST 1021010036, ano de 1993.

Outros registos:
-CD “Do Choupal até à Lapa – Grupo de Fados da Associação dos Antigos Estudantes de Coimbra da Madeira”, EMLI, s/n e s/d, de ca. 1994 (canta Luis Filipe Costa Neves).
Dos vários aproveitamentos conferidos a este espécime, destaquemos uma rapsódia de Artur Paredes (década de 1920) e uma outra de Jorge Tuna (década de 1960)
(José Anjos de Carvalho e António M. Nunes Agradecimentos: D. Maria José Bettencourt, Maestro João Anjo, Dr. Afonso de Sousa, José Moças (Tradisom).
Texto retirado do blog: http://guitarradecoimbra.blogspot.com)









domingo, 10 de julho de 2011

Teatro em Sintra - "Três em Lua de Mel"

Estreou ontem à noite na Sociedade União Sintrense a quarta peça encenada pelo grupo de teatro do Centro de Cultura e Desporto Sintrense "Os Cintrões", grupo formado por trabalhadores da Câmara Municipal de Sintra e de outras entidades municipais.

Desta vez trata-se de uma comédia dos anos 50, escrita por Ribeirinho e Henrique Santana. A encenação foi, como nas peças anteriores, do grande sintrense Gil Matias.


Nestes tempos de extremo egoísmo e conformismo, esta iniciativa, sobretudo porque vinda de um "universo profissional" (onde os factores do "sucesso a qualquer preço" se vêm sobrepondo a um desejável ambiente de trabalho saudável), afigura-se mesmo como uma pedrada no charco.


O programa:


Algumas fotos:
















Ver também a página do grupo "Os Cintrões" no Facebook: http://pt-pt.facebook.com/people/Cintr%C3%B5es-G-Teatro/100001198712385

"Vindo desde Vigo ao Porto..."

Nas últimas semanas veio a lume a intenção da CP encerrar mais uma linha férrea, desta vez a linha do Porto a Vigo.

Mais uma "patacoada" nacional, salva a tempo pelos nuestros hermanos (e amigos) galegos.

Pois, os prejuízos de exploração - que ninguém tem dúvidas que existam mesmo. Mas se calhar devíamos ir um bocadinho mais longe, perceber as razões profundas, e não tão longínquas assim.

A nossa rede de caminhos de ferro está mesmo pelas horas da amargura, isto é só o princípio, o país vai ficar reduzido a algumas poucas centenas de quilómetros de caminho de ferro, a maioria das capitais de distrito vão deixar de ser servidas pela via férrea. Sim, mas não deixaremos de poder viajar (vertiginosamente) até à aldeia mais recôndita, através dos imensos rios de alcatrão que revestem o país desde os anos 80.

Pois, os verdadeiros responsáveis andam aí e têm nome - foram (e são) os arautos do "bom aluno" europeu, os ideólogos do capitalismo popular teatcheriano dos anos 80 - no mínimo um carro para cada cidadão -, os missionários da cultura elitista e novo-riquista do "povo que anda de transportes públicos cheira mal", os patos-bravos do alcatrão (de vários quadrantes políticos).
Pois, atingimos mais umas boa posição na pacovice do "Guiness": país europeu que menos usa transportes públicos para ir para o trabalho; parque automóvel dos mais vastos e recentes; óptima performance no aumento de consumo de combustíveis; ah valentes!



Nos anos 70 viajava-se de comboio, não só para ir para o trabalho, mas também no lazer. A minha primeira grande "viagem a Portugal" foi feita de comboio; existia uma espécie de inter-rail nacional, era o "livrete quilométrico", constituído por 1.800 km de senhas compradas previamente, que eram trocadas por bilhetes nas estações da CP (confesso que não sei se existe ainda alguma coisa semelhante).

Em Setembro de 1973 esses 1.800 km permitiram-me ir a Aveiro, Porto, Viana do Castelo, Braga, Régua, Lamego, Viseu, Guarda, Covilhã, Castelo Branco e, depois de 2 ou 3 dias em casa, a Lagos e Portimão; ainda devem ter sobrado uns quilómetros.

Na linha de Vigo ao Porto, viajámos a primeira vez em Agosto de 1979, com a mochila às costas a partir de Viana do Castelo (onde tinhamos assistido às Festas da Sra. da Agonia) e com destino às Ilhas Ceas. Essa viagem foi muito bem acompanhada pelo Sérgio Godinho, que em 1972 cantava assim:



"Vindo desde Vigo ao Porto/Sem mala nem passaporte/

O comboio era tão velho/Que o fumo cheirava a morte (...)"








A notícia do "Público (http://www.publico.pt/Local/comboios-portovigo-vao-manterse_1501974):


A CP vai manter o serviço internacional Porto-Vigo, cuja supressão estava anunciada para este domingo, depois de a sua congénere Renfe ter aceitado pagar os custos da circulação das automotoras portuguesas no troço espanhol.
A supressão do serviço internacional estava anunciada para este domingo.

A transportadora portuguesa voltou, assim, atrás na decisão de suprimir as ligações directas entre o Porto e Vigo, que davam um prejuízo anual de 232 mil euros, mantendo apenas o serviço regional entre Campanhã e Valença.

Perante o movimento de protesto que se gerou na opinião pública do Norte de Portugal e da Galiza, com inúmeros autarcas de ambos os lados da fronteira a protestarem contra esta decisão, a CP admitia ontem prolongar o serviço até à fronteira espanhola de Tui, desafiando a Renfe a continuar o serviço até Vigo com os seus próprios comboios, ou a pagar à operadora portuguesa para ser esta a fazê-lo com o seu material circulante.

Hoje de manhã houve acordo e as duas ligações directas de ida e volta entre o Porto e Vigo vão manter-se, com automotoras portuguesas, aceitando a Renfe pagar a totalidade dos custos de exploração entre a fronteira e Vigo.

A inauguração do serviço internacional Porto-Vigo data de 1913, tendo chegado a haver comboios directos do Porto para Santiago de Compostela e a Corunha.

Jorge Lima Barreto

Morreu ontem, dia 09.Jul.2011, o músico e musicólogo Jorge Lima Barreto, figura grande da cultura portuguesa. A notícia do "Público" - http://www.publico.pt/Cultura/morreu-o-musico-jorge-lima-barreto_1502125:



Músico, musicólogo e um dos criadores dos Telectu
Morreu o músico Jorge Lima Barreto
Por Vítor Belanciano



O músico Jorge Lima Barreto, de 61 anos, morreu hoje, vítima de uma pneumonia. O músico e musicólogo, criador do grupo Telectu com Vítor Rua, estava internado há algumas semanas nos cuidados intensivos de um hospital de Lisboa.



Foto da Fonoteca de Lisboa



O corpo de Jorge Lima Barreto estará em câmara ardente na Igreja de Santa Joana Princesa, em Lisboa, a partir das 17h de domingo. Daí seguirá, na 2ª feira, às 16h, para o crematório dos Olivais, em Lisboa.

Ligado às músicas mais exploratórias, experimentais e improvisadas, a solo ou em formações como os Telectu e AnarBand, Jorge Lima Barreto, nascido em 1949, licenciou-se em História de Arte (1973) e doutorou-se em Musicologia e Teoria da Comunicação Social na Universidade Nova de Lisboa (1995), tendo desenvolvido em simultâneo à actividade de músico, produção como documentador e musicólogo, tendo editado quase uma vintena de títulos dedicados a diversas músicas, relacionando-as historicamente, como “Revolução jazz” (1972), “Jazz-Off” (1973), “Rock Trip” (1974), “Rock & Droga” (1982), “Música Minimal Repetitiva” (1990), “JazzArte” (1994), “Música e Mass Media” (1996), “Musa Lusa” (1997) ou “B-Boy” (1998).

Mas foi com os Telectu, o duo de música experimental formado em 1982 com Vítor Rua (vindo da formação original dos GNR), que viria a conhecer maior projecção, tendo a dupla actuado um pouco por todo o mundo. Vindo da tradição do jazz, Jorge Lima Barreto incorporou nos Telectu uma grande variedade de elementos musicais, que iam do jazz mais livre à electrónica, passando pelo minimalismo ou pela música concreta. Ao longo de trinta anos de carreira, editaram uma volumosa discografia de mais de vinte títulos – de estúdio ou registados ao vivo – tendo colaborado com inúmeros músicos de excepção, da música improvisada ou experimental, como Elliot Sharp, Chris Cutler, Sunny Murray, Jac Berrocal ou Carlos Zíngaro. Em simultâneo, compuseram também música para teatro, vídeo-arte ou performances multimédia.

Projecto singular durante muitos anos na paisagem musical portuguesa, os Telectu, pela sua natureza, sempre em conjugação com outras áreas artísticas, e pela forma como recorriam à ironia, criando situações surpreendentes, nem sempre se sentiram compreendidos no contexto português, onde as linguagens mais exploratórias são quase sempre relegadas para plano secundário.

Personalidade inquieta, Jorge Lima Barreto sempre orientou a sua actividade pela procura de novas soluções interpretativas e composicionais, ao mesmo tempo que procurou estar actualizado com os desenvolvimentos tecnológicos no campo da música.



Capa e excertos de livro de Jorge Lima Barreto (BARRETO, Jorge Lima - Grande Música Negra. Porto: edições Rés limitada, 1975):