domingo, 26 de abril de 2009

Cooperativa Cultural Grupo de Teatro de Mem Martins

Entre 1974 a 1980, uma das mais relevantes associações culturais em Algueirão-Mem Martins foi o Grupo de Teatro de Mem Martins, Cooperativa Cultural SCARL.

A história desta cooperativa será aqui contada oportunamente. Desta vez só vamos deixar o registo dos autocolantes de três das “secções” da associação: o Teatro, o Cinema e a Música.

Duas notas: no caso da música, elementos do Grandharva ainda “andam por aí” (na Taverna dos Trovadores em S. Pedro de Sintra, por exemplo). O autocolante do Germinal-Equipa de Cinema Amador é da autoria do nosso amigo Henrique Nunes, autor também da capa e de outros desenhos do roteiro “Serra da Sintra Passeios Pedestres” de que vamos falando por aqui.

Autocolante - 79 x 97 mm


Autocolante – 61 x 83 mm; este autocolante teve uma outra versão com as dimensões de 87 x 116 mm

Autocolante – 69 x 90 mm

sábado, 25 de abril de 2009

25 de Abril

Nos 35 anos do 25 de Abril, seis emblemas/pin's alusivos à data da revolução:








domingo, 19 de abril de 2009

A Gazeta de Algueirão-Mem Martins - n.º 1

Há já 31 anos, um grupo de jovens ligados à (extinta) Cooperativa Cultural Grupo de Teatro de Mem Martins editaram um "despretencioso" boletim que pretendia combater a "confrangedora pobreza cultural existente numa freguesia tão populosa como Algueirão-Mem Martins - problema velho".

O primeiro número foi publicado em Dezembro de 1978 e o quarto e último em Maio de 1979.

Registamos aqui a sua passagem. Eis o número 1:














sábado, 18 de abril de 2009

Touradas!

Meu caro,


Vivi uns 15 anos numa aldeia de Sintra. No Verão, ao fundo da rua, realizava-se uma garraiada; o touro ia marrando em quem podia, e a malta ia-se exibindo. No final, ia tudo para casa, o garraio também. Não havia facadas, nem bandarilhas, nem espadas, nem sangue, tirando algumas esfoladelas.

Participei num filme sobre a Festa do Espírito Santo, no Penedo, cerca de 1980, que a Câmara Municipal de Sintra adquiriu. Podes pedir aos Serviços Culturais para o visionar. Havia uma Corrida do Touro à corda, a Coroação do menino Imperador, o Bodo, a Vitela a Sortear e as Barracas e Quermesse. No sábado, o touro dava a volta à aldeia, preso por cordas, tentando marrar em quem podia. A malta da corda ia dando folga de modo a que o touro pudesse ir acertando nos mais atrevidos.

Também nada de facas, bandarilhas ou algo do género que a imaginação possa entrever. No fim, na praça da aldeia, um trabalhador do matadouro municipal, que tinha essas funções, matava o touro, perante a aldeia em peso, com uma faca especial que lhe enfiava na nuca; o touro caía ao primeiro golpe ou, se necessário, ao segundo, que se lhe seguia imediatamente. Não era muito edificante, mas também não era uma demonstração de sofrimento ou sadismo. Já foi proibido, claro; os tempos são outros. No domingo, no adro da capela, era servido o Bodo aos pobres, com a carne do boi.


O que se tem de proibir é a violência sobre os animais, não as touradas. Pelo contrário, a relação do Homem com os animais deve ser incentivada. Correr pelos campos com os cães, observar as aves, uma garraiadazita com uns garraios ou provocar uns carneiros no pasto, só faz bem. Pelo contrário, os touros de morte, a luta de cães ou de galos, as espingardas de pressão de ar, as armadilhas de caça, os venenos para animais, tudo isso deve ser proibido. Aconselhável era também observar nos olhos um gorila, condenado a prisão perpétua, sem crime nem razão alguma, com o seu olhar racional, na jaula do zoo a que o confinaram. Experimenta!

No Verão de 1974 fui ver o país, claro. Fui com um amigo (ainda hoje é como se fosse meu irmão) que, pensava ele, era maoísta (isto agora parece piada — ele agora apoia o Sócrates, benza-o o Mao!). No Minho, em São Bento da Porta Aberta (juro que era o nome da terra!), passava uma procissão. O meu amigo Vítor ficou embasbacado a ver um andor pejado de notas presas com alfinetes ao santo, e murmurou:
— Isto tem que ser proibido…

Proibir é fácil. Mas pode ser um acto de sobranceria em relação ao povo. E, em certos casos, uma manifestação contra o povo. Um belo exemplo, é este Sócrates. Ele gosta do povo das aldeiazitas a que retirou a escola primária, sem nada dar em troca? Ele gosta do povo das terrinhas a que retirou o Centro de Saúde, sem nada lhes dar em troca? Ele gosta dos funcionários públicos? Dos professores? Dos notários? Dos juízes?


Ou seja, ao proibir as touradas, gostamos do povo que se diverte com os touros? Gostamos dos touros? Se gostássemos do povo, íamos para junto dele correr à frente dos touros; se gostássemos dos touros, andávamos a fazer piruetas à frente do garraio.

Já agora, que é para a desgraça, a minha mãe, de 80 anos, foi ao Centro de Saúde marcar uma consulta, e disseram-lhe que só daqui a 2 meses poderia lá ir marcar, então, a consulta. Na rua dela, no Algueirão, há um assalto semana sim, semana não. São estas touradas que o povo gostaria que se proibisse. E não deveria ser sobre isto que deveríamos reflectir? Enquanto o povo se diverte a fugir dos touros, claro…

Carlos Galrão

domingo, 12 de abril de 2009

Serra de Sintra Passeios Pedestres, Introdução

Andei à giesta
Ao lírio maninho
Na bouça da Fresta
No Casal Velido

"Cantares do Andarilho"


«Há já alguns anos um grupo de adolescentes juntaram-se num clube, ali na Portela de Sintra, que tinha como finalidade a exploração de grutas e cavernas - a espeleologia.

O vector científico desta associação apontava, portanto, para a tentativa de explicação dos fenómenos naturais, concretamente para a descoberta do chão que pisávamos. E a Serra de Sintra era mesmo ao lado; foi para aí que nos encaminhámos, tentando compreender a complexidade da sua formação geológica, estudando as suas linhas de água, inventariando as suas belezas naturais, a vegetação, etc...

Por outro lado, a oportunidade de se terem encontrado duas ou três dezenas de jovens naqueles anos de preconceito e repressão, quando o sistema tentava manter a juventude em casa, na solidão das relações impostas (família, colegas de escola ou de emprego), levou a que estes rapazes e raparigas procurassem discutir os problemas que se iam levantando no seu espírito - a existência, os "mistérios da criação", as ideias que iam por esse mundo fora e que nos chegavam com muito atraso e deturpação, mesmo assim essas só privilégio de alguns universitários. E que outro local senão a Serra poderia oferecer as condições ideais para discutir questões tão variadas e elevadas?

Entretanto muitas coisas se passaram com esses adolescentes do princípio dos anos 70. Com o 25 de Abril proporcionaram-se outras possibilidades de aplicação das nossas forças. A liberdade de informação e comunicação levaram-nos a procurar ir ao fundo de experiências até aí proibidas, a tentar intervir directamente no curso da história, a discutir outros problemas, encontrar novas respostas.

De qualquer forma o nosso ponto de encontro continuou a ser a Serra de Sintra. Quando, cansados, desiludidos, ou simplesmente com a cabeça cheia de novas descobertas, queríamos pôr as ideias em ordem, marcávamos um acampamento nos Capuchos ou na Praia da Adraga e voltávamos a passar a noite em volta de uma fogueira cantarolando as velhas canções do Beatles, do Bob Dylan ou do Zeca Afonso, trocando panfletos e conversando.

Desses encontros nasceriam também muitos outros projectos, alguns levados à prática. Criámos ou ajudamos a criar associações culturais ou ecologistas, continuando a pensar na Serra. Fizemos, ajudámos a fazer filmes etnográficos sobre a região, pusemos em circulação jornalinhos locais em que a defesa do património arquitectónico natural sintrense era um dos objectivos centrais, escrevinhámos artigos para a imprensa regional. Sempre a pensar na Serra.

Enfim, tudo isto para dizer que esta publicação é, por um lado, um pequena homenagem a uma nossa velha companheira, e, por outro, uma tentativa de tornar mais transparente a Serra a quem ainda não a conhece. O que fazemos é, no fundo, indicar alguns passeios possíveis, sem pretendermos limitar o conhecimento da Serra de Sintra a esses itinerários. Os mapas que divulgamos foram feitos com base nas cartas dos Serviços Cartográficos do Exército e do Instituto Geográfico e Cadastral que aconselhamos a adquirir àqueles que pretendem fazer destes passeios uma constante.»