terça-feira, 31 de janeiro de 2017

O início da espeleologia em Sintra (1971 – 1977)

(as pequenas guerras)

15.nov.1971 – É fundado o Espeleo Clube de Sintra (ECS), por Alexandre Morgado, Manuel Mourato Vermelho e Francisco Páscoa de Oliveira
03.abr.1972 – Entrega dos estatutos do ECS no Ministério da Educação Nacional, pela Comissão Organizadora
23.set.1972 – É fundado o Centro Especial de Exploração Subterrânea (CEES), por Francisco Páscoa de Oliveira, Joaquim Pitorro e Mário Coruche
19.out.1972 – Constituídos os primeiros Corpos Gerentes do CEES
20.dez.1972 – O CEES passa a funcionar com uma Comissão Organizadora
Março.1973 – O CEES passa a reunir quinzenalmente no Café Piriquita (Sintra)
04.abr.1973 – 1.ª Assembleia Geral, extraordinária, do ECS, para eleição dos Corpos Gerentes (não foram, posteriormente, sancionados pelo Ministério da Educação Nacional, por alguns membros serem menores)
11.abr.1973 – Constituição notarial do ECS
Junho.1973 – O ECS aluga sede na Rua José Bento da Costa, lote 35 cv esq, Portela de Sintra
12.jun.1973 – É publicada a aprovação dos estatutos do ECS, em Diário do Governo III Série
07.abr.1974 – É apresentada pela Comissão Instaladora do ECS uma nova lista de Corpos Gerentes para homologação pelo Ministério da Educação Nacional
11.maio.1974 – Assembleia Geral, extraordinária, para eleição de novos Corpos Gerentes, convocada pela Comissão Organizadora do ECS
22.mai.1974 – Reunião da Comissão Organizadora do CEES, e reinício das atividades deste clube
19.set.1974 – Reunião de sócios do ECS decidindo-se suspender o tesoureiro do clube
26.set.1974 – É fundado o Núcleo de Espeleologia de Sintra (NES), que passou depois a designar-se por Associação dos Espeleólogos de Sintra (AES)
Dezembro.1974 – O ECS cessa o arrendamento da sede, na Portela de Sintra
1975 – 1976 – A AES efetua cerca de 68 atividades de exploração
Janeiro.1977 – Comissão organizadora da AES reunia semanalmente na residência do Dr. Jorge Branco, na Portela de Sintra
17.fev.1977 – Constituição notarial da AES por Jorge Branco, Valdemar Tomás e Mário Coruche (Diário da República III Série, de 26.mai.1977); a AES tinha sede na Av. Movimento das Forças Armadas, 48 – 2.º dto, Sintra
16.abr.1977 – Assembleia Geral extraordinária do ECS, sendo aprovada por unanimidade a extinção do clube e sendo todos os seus bens e fundos oferecidos à AES
15.jun.1977 – Legalização da AES no Governo Civil de Lisboa
02.jul.1977 – Eleição dos primeiros Corpos Gerentes da AES
1.       O nascimento
O Espeleo Clube de Sintra (ECS) foi obra de Alexandre Morgado, jornalista ligado aos meios do Estado Novo, e que o fundou a 15.nov.1971.
Alguns sócios desavindos resolveram fundar um outro clube, o Centro Especial de Exploração Subterrânea (CEES) a 23.set.1972. Mas o arrendamento de sede pelo ECS, em junho de 1973, e a aprovação dos seus estatutos pelas autoridades do regime trouxeram de novos esses sócios ao ECS.

       2.       O 25 de abril
A 07.abr.1974 era por Alexandre Morgado apresentada uma lista de Corpos Gerentes para ser homologada pelas autoridades.
Mas a 25 de abril o regime autoritário caiu e a influência de Alexandre Morgado terminou.
A 27 de abril ainda estava na sede a discutir o rasgar da sua foto por Pedro*, que Manuel* presenciara, após o que João* e Manuel* propõem a expulsão de sócio de Pedro*. Este acaba por não sofrer outra sanção que não seja ser obrigado a mandar fazer nova amplicópia 30x40 igual à que rasgara (na sala de reuniões estava pendurado quadro com a fotografia do fundador…). Decidiu-se ainda, naquele sábado, marcar uma Assembleia Geral extraordinária para 11 de maio, quinze dias depois.
A 2 de maio, Alexandre Morgado, pela Comissão Organizadora do ECS, convoca realmente uma AG extraordinária para 11 de maio, pelas 21h30, com a eleição de novos Corpos Gerentes na Ordem de Trabalhos.
As coisas precipitam-se, no entanto. De 6 para 7 de maio, a altas horas da noite, Alexandre Morgado e João* retiram da sede os pertences do primeiro enquanto Luís* fica “de guarda” à porta do prédio. A 7 de maio é distribuída aos sócios presentes na sede uma convocatória anónima marcando para 11 de maio, pelas 15h00, uma Reunião Geral de Sócios que incluía na Ordem de Trabalhos a apreciação de proposta para demissão imediata do Presidente da Comissão Instaladora e eleição de uma Comissão Administrativa transitória.
A 11 de maio, durante a tarde, Alexandre Morgado faz sucessivos ofícios ao Director-Geral dos Assuntos Culturais (que antes autorizava a existência de associações culturais), ao senhorio da sede, ao fiador do arrendamento e ao Presidente da Câmara Municipal de Sintra, avisando que deixaria nessa noite de ser responsável pelo clube. Às 18 horas termina um Relatório das Actividades do ECS desde a sua fundação. Nessa noite, com 27 sócios presentes, são votados o Presidente e Vice-Presidente da Direcção, os restantes lugares sendo consensuais. Por 14 votos contra 13, Carlos Galrão é presidente e Francisco Páscoa vice-presidente. Começou aí nova divisão entre os espeleólogos sintrenses.
A 17 de maio, Alexandre Morgado demite-se de sócio do ECS e a 22 de maio o CEES reinicia as suas atividades reanimado por Mário Coruche, tesoureiro do ECS, e que a 19 de setembro é suspenso deste clube. A 26 de setembro Mário Coruche funda o Núcleo de Espeleologia de Sintra (NES), que depois passará a Associação dos Espeleólogos de Sintra (AES), e que irá polarizando as atividades e aderentes enquanto o ECS definhava. Em dezembro de 1974, sem capacidade sequer de pagar o arrendamento da sede, o ECS deixa de ter sede arrendada e os seus sócios, progressivamente integrados nas atividades da AES, acabam por decidir por unanimidade a extinção do ECS em Assembleia Geral de 16 de abril de 1977.
3.       O crescimento
A AES prosperou, inicialmente sob a tutela administrativa de Mário Coruche e uma direção científica de Jorge Branco. A Associação ainda hoje existe, em 2016.
Desde os anos setenta do século XX, em que a ditadura que então dominava Portugal confinava os jovens a associações vigiadas e dirigidas autocraticamente, até aos anos inicias deste século XXI, esta vertente associativa científica sempre teve pequena expressão na sociedade sintrense. Por ela passaram, no entanto, alguns jovens brilhantes e que foram, naturalmente, tomando o seu lugar na sociedade.
Cerca do ano 2000, a AES integrava um viveiro de jovens preparando teses de mestrado, especialistas em biologia, formadores de escalada em parede na Escola Nacional de Bombeiros, debruçando-se sobre a vanguarda do conhecimento e técnicas do momento, tudo isto com sede numa garagem, dividida a meio por uma cortina. No fundo da garagem, o equipamento, e, à entrada, uma dúzia ou duas de jovens universitários trocando informações e experiências e planeando trabalhos.
Depois, a AES conseguiu instalações na Quinta da Regaleira. Um laboratório de investigação sobre morcegos, online, com partilha vídeo de uma comunidade de morcegos para todas as entidades científicas, através da internet, a prestação de serviços científicos de sua especialidade para todo o país, autarquias e empresas privadas. Esta fase, outros a poderão descrever melhor!
Bom trabalho, camaradas!

4.       Algumas personagens
Das personagens dos tempos iniciais, poucos testemunhos posteriores tenho.
Alexandre Morgado dava notícias ameaçadoras de vez em quando. Surgiu ali, apareceu acolá, telefonou, deixou recado… Sempre sob um manto nebuloso, que era espião, voltara do estrangeiro… Um encoberto.
Ao contrário, Jorge Branco era a luz. Morava por cima da sede do ECS, e a esposa batia com o cabo da vassoura no chão da cozinha, altas horas, para protestar pelo barulho que fazíamos. Um dia, anos noventa, andava eu a escarafunchar no depósito de publicações reservadas da Biblioteca Municipal de Estremoz, vi-o calmamente a ler numa mesa da biblioteca. Tinha comprado um terreno em Estremoz, 2 filhos, era Presidente da Assembleia Municipal de Estremoz.

O Pedro* era do meu círculo próximo. Aquando do 30 de setembro de 1974, desembarcámos na estação ferroviária do Algueirão, sempre altas horas da noite, as paredes anunciando que tinham apanhado dezenas de capacetes e cacetes à reação. Não resisti a comentar a situação na beira de um dos cartazes. Vieram os donos dos cartazes, correria, no dia seguinte soube que o Abílio e outros MJTs tinham apanhado o Pedro* a caminho de casa. Houve muita lábia, uns sopapos, acabámos por ficar nos ficheiros do PC. O que nos não impediu de lá ir à sede, na tarde do 11 de março de 1975, saber novidades, e, perante alguma falta de direção local, organizarmos a feitura de cartazes contra a reação, o fecho dos supermercados da terra, um fartote; quando os controleiros voltaram de Lisboa, raspámo-nos ordeiramente, como diria agora o Jorge Palma: “com todo o respeito”. O Pedro* licenciou-se em geologia, 3 filhos maravilhosos, às tantas fartou-se da capital e foi para a província. Já neste século XXI, apareceu por aqui, reformado. E depois estava numa aldeia em Trás-os-Montes. E em Essaouira, em Marrocos (“Apareçam cá, porra! Aluguei uma casa que só lhe falta água; tem eletricidade, tem net, tem tudo.”). Um dia, mail para cá, mail para lá, descobri que nas minhas deambulações pelo Alentejo passara a 300 metros dele, em Melides (“Cabrões! Passam aqui na estrada e não dizem nada a um gajo. Custava alguma coisa?”). Mais conversa, que vida de cigano era aquela, acaba por confessar que na aldeia onde vivera acabara por dar uma patada ao Presidente da Junta de Freguesia.
— E então?
— Olha, o juiz condenou-me a pagar-lhe 1.200€.
— Caneco. Lá por isso fazemos uma coleta entre a malta e pagamos ao gajo.
— Nem pensar! Isso também os meus filhos queriam… O gajo nunca vai ver nem um tostão meu. Era bom, era!

Carlos Galrão
Mem Martins, 21.jan.2017



Notas:

* - Nomes fictícios.

A oportunidade de elaboração deste texto deve-se ao estimado Dr. Hermínio Santos, que se encontra a ultimar (mais) uma publicação sobre Sintra, onde abordará, entre muitos outros aspetos, as associações de espeleologia desta vila.
Foi a propósito dessa publicação que o Dr. Hermínio Santos nos contactou, o que impulsionou a recolha e sistematização pelo Carlos Galrão deste texto que agora se publica.
Vítor Reis
Algueirão, 31.jan2017.

Gruta da Assafora, jan.1974

Próx. Gruta de Colaride, set.1974



Gruta de Alvidrar, jul.1975 
(in "Serra de Sintra Passeios Pedestres". Carlos Galrão e Vítor Reis. Edit. Abril: 1981)    

                                    Gruta de Alvidrar, jul.1975                                    

Adraga, jul.1978   

domingo, 31 de julho de 2016

Eleições gerais em Espanha (26.jun.2016)

As eleições para as Cortes Gerais, realizadas em Espanha em 26.jun.2016, mudaram ligeiramente a composição do Congresso de Deputados em relação às eleições de dezembro de 2015. Estas eleições de 26.jun.2016 vieram confirmar as eleições de dezembro, nomeadamente a alteração do domínio bipartidário que se verificava nas eleições gerais em Espanha desde o fim da ditadura franquista até 2011:
  (2) Barcelona en Comú + Podem Catalunya + Iniciativa per Catalunya Verds + Esquerra Unida i Alternativa + Equo


Em termos de mandatos, o quadro é:

A reunião de constituição do novo Congresso será a 19 de julho de 2016, com o juramento dos deputados, a formação da Mesa e a eleição do Presidente do Congresso.
Em janeiro passado, Patxi López (PSOE) foi eleito Presidente do Congresso, embora não tenha obtido em primeira votação a maioria absoluta, de 176 votos. Os dois mais votados foram a uma segunda votação, que López venceu com 130 votos (PSOE e Ciudadanos), contra Carolina Bescansa, com 71 votos (Podemos e UP). O PP absteve-se nas duas votações, pois, com os seus 123 votos, não conseguiria vencer o candidato apoiado pelo PSOE e Ciudadanos..
Seguiu-se a formação de grupos parlamentares. No Congresso dos Deputados, podem formar um grupo parlamentar:
·         um mínimo de 15 deputados;
·         um mínimo de 5 deputados, de uma ou várias formações políticas que tenham obtido no seu conjunto:
a.       5% dos votos nacionais;
b.      15% dos votos nas circunscrições em que apresentaram candidatura.
Não podem, no entanto, constituir grupos parlamentares separados deputados eleitos pelo mesmo partido ou que nas eleições se apresentaram em coligação.
A interpretação do Regulamento pela Mesa do Congresso tem sido ao longo dos anos relativamente flexível, tendo a Mesa em janeiro considerado que tanto ERC como DL podiam formar grupos parlamentares próprios, atendendo a que no conjunto das circunscrições em que apresentaram candidatura (Catalunha) conseguiram, respetivamente, 16,0% dos votos e 9 deputados, e 15,1% dos votos e 8 deputados. Também, no País Basco, o PNV obteve 24,8% dos votos, pelo que pôde constituir um grupo parlamentar próprio com os 6 deputados que elegeu.
Formaram-se, assim, os seguintes grupos parlamentares:
Popular en el Congreso (119 PP)
Socialista (89 PSOE)
Podemos – En Comú – Compromís – En Marea (47 Podemos + 12 En Comú Podemos + 6 En Marea)
Ciudadanos (40 Ciudadanos)
Esquerra Republicana (9 ERC)
Catalán (7 DL + 1 DC)
Vasco (6 PNV)
os restantes deputados ficando integrados no Grupo Mixto:
2 EH Bildu
4 Compromís
2 UP
1 NC
2 UPN
1 FAC
1 expulso do PP
1 CCa
Agora, a 19 de julho de 2016, a eleição para Presidente do Congresso será um pouco diferente. O PP, com 137 deputados, ultrapassa o conjunto PSOE e Ciudadanos (85 + 32), pelo que, previsivelmente, após uma primeira votação sem maioria absoluta, irão os dois candidatos mais votados a uma segunda votação, provavelmente os candidatos do PP e PSOE. Se o Podemos não apoiar o candidato do PSOE, poderá ser eleito por maioria simples o candidato do PP para Presidente do Congresso.
Em seguida, constituídos no Congresso os diversos grupos políticos, o Rei consulta os representantes desses grupos, após o que publica um decreto, referendado pelo Presidente do Congresso, em que um cidadão é investido como candidato a Presidente do Governo.
É então convocado um debate de investidura no Congresso, em que o candidato a Presidente do Governo apresenta o Programa de Governo e pede uma moção de confiança ao Congresso dos Deputados.
Na votação da moção (nominal e pública),
                - se se verificar uma maioria absoluta de votos a favor,
- o candidato é aceite como Presidente do Governo;
- senão, haverá nova votação 48 horas depois;
- se se verificar uma maioria absoluta ou simples (mais votos a favor que contra),
- o candidato é aceite como Presidente do Governo;
- senão, o Presidente do Congresso deverá levar ao Rei os resultados obtidos no Congresso e o Rei poderá propor outro candidato a Presidente do Governo.
Se, passados 60 dias da primeira votação, ainda não tiver sido aprovado um candidato a Presidente do Governo, as Cortes Gerais são dissolvidas e serão marcadas novas eleições.
Com a atual correlação de forças no Congresso, que hipóteses existem?
1. O PSOE e Podemos poderão formar Governo se:
- Ciudadanos e ERC se abstiverem ou participarem;
2. O PP poderá formar Governo, se:
- PSOE se abstiver;
3. Haverá eleições em dezembro de 2016, se se não formar Governo até 60 dias depois da primeira votação de uma moção de confiança a novo Presidente do Governo.
Carlos Galrão

16.jul.2016

segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

Eleições gerais em Espanha (20.dez.2015)

As eleições para as Cortes Gerais, realizadas em Espanha em 20.dez.2015, criaram uma relação de forças claramente diferenciada do bipartidarismo existente desde 1977, quando se realizaram as primeiras eleições gerais livres em Espanha desde 1936.

A crise económica de 1981 originou uma reconversão industrial em Espanha, com o desmantelamento de grande parte da sua indústria pesada e provocando um crescimento do peso do setor dos serviços na economia.

No final do século XX, surgiu em Espanha um período (1998-2008) de borbulha imobiliária que levou a que o emprego dependesse grandemente do setor de construção. Os preços do imobiliário aumentaram 
Fonte: www.es.wikipedia.org 
desmesuradamente em relação ao nível de vida, aumentando enormemente a dívida privada em Espanha. Os empréstimos hipotecários concedidos ultrapassavam nessa altura 80% do valor do imóvel a adquirir.

Com a crise económica mundial de 2008, a borbulha especulativa rebentou. O valor dos imóveis caiu e o valor destes tornou-se por vezes inferior à dívida ainda existente, dívida que os compradores eram por vezes incapazes de satisfazer. Como a venda do imóvel não permitia saldar a hipoteca, e como as entidades bancárias deixaram de aceitar a dação do imóvel como pagamento, as famílias ficaram em alguns casos sem a propriedade e 

continuando endividadas no restante da dívida. Calcula-se que em 2014 existiam ainda 700.000 hipotecas em possível situação de insolvência (hipotecas submergidas).

Esta crise económica de 2008 teve como efeitos principais em Espanha, além de uma crise imobiliária, a nacionalização de numerosas caixas de crédito falidas, ajudas públicas a outras entidades bancárias e um enorme aumento dos despejos. E ainda um enorme desemprego (que sobe de 9%, em 2007, para 26% em 2012), conjugado com uma diminuição das contribuições fiscais e aumento de gastos no setor social.
Zapatero (PSOE 2004-2011) e Rajoy (PP 2011-2015) tentam controlar a crise interna através de cortes orçamentais, mas a crise vai-se agudizando e tomando sucessivamente contornos sociais e institucionais que começam a pôr em causa o território do Estado e as suas instituições políticas. Aumenta a conflitualidade social, a pobreza e a desigualdade. Em dezembro de 2013 o diário britânico The Economist publicou um estudo que afirmava que a conflitualidade em Espanha se assemelhava à da Bulgária e Portugal e só era na Europa superada pela da Grécia.

Esta conflitualidade acabou por se corporizar politicamente no Podemos, que se apresentou oficialmente em janeiro de 2014 e se legalizou como partido político dois meses depois. Advogava a revogação da alteração de 2011 ao artigo 135 da Constituição (“El Estado y las Comunidades Autónomas no podrán incurrir en un déficit estructural que supere los márgenes establecidos, en su caso, por la Unión Europea para sus Estados Miembros“), a aplicação plena do artigo 128 da Constituição (“Toda la riqueza del país en sus distintas formas y sea cual fuere su titularidad está subordinada al interés general”), a assunção pelo Estado do caráter público da educação e da saúde, a criação de habitação social, a aplicação retroativa da dação em pagamento no caso dos imóveis com prestações da dívida em atraso, a oposição a alterações restritivas à lei do aborto, a revogação das leis sobre a imigração, a saída de Espanha da NATO e a realização de um referendo na Catalunha sobre a sua independência.

Entretanto, em 2006, com origem num grupo de intelectuais de Barcelona que se opunham ao nacionalismo catalão, é fundado o Ciudadanos. E a partir de 2014, numa estratégia de implantação nacional, tirando partido da falência das políticas do partido no poder (PP), começa a incorporar uma série de organizações políticas por toda a Espanha.

Embora desde 1977 a cena política espanhola tenha sido dominada por dois blocos, conservador e socialista, que se têm revezado no poder sempre em governos monocolores, embora por vezes minoritários,
Fonte: www.es.wikipedia.org

estas eleições de 20.dez.2015 vieram alterar este domínio bipartidário:

                                  2011                                                        2015

Os 350 eleitos para o Congresso dos Deputados ficaram assim distribuídos:
EH Bildu
2
ERC
9
UP
2
Podemos
69
PSOE
90
Ciudadanos
40
PP
123
PNV
6
DyLib
8
CCanaria
1

A reunião de constituição do novo Congresso será a 13 de janeiro de 2016, com o juramento dos deputados, a formação da Mesa e a eleição do Presidente do Congresso. Seguir-se-á a formação de grupos parlamentares e a eleição dos respetivos líderes parlamentares.

No Congresso dos Deputados, um mínimo de 15 deputados podem formar um grupo parlamentar, ou as formações políticas com um mínimo de 5 deputados e que representem 15% dos votos das circunscrições a que se apresentaram ou 5% da votação nacional. A interpretação desta norma pela Mesa do Congresso tem sido relativamente flexível, pelo que neste momento os partidos com menor representação (UP, EH Bildu e Coalición Canaria) tentam um acordo para a formação de um grupo parlamentar que lhes dê visibilidade e meios financeiros.

O Presidente do Congresso entregará depois ao Rei a lista de líderes dos grupos parlamentares, que serão consultados com vista à publicação de decreto do Rei, referendado pelo Presidente do Congresso, em que é investido como candidato a Presidente do Governo um cidadão (cerca de 18 de janeiro).

É então convocado um debate de investidura no Congresso, em que o candidato a Presidente do Governo apresenta o Programa de Governo e pede uma moção de confiança ao Congresso dos Deputados.

Na votação da moção (nominal e pública),
                - se se verificar uma maioria absoluta de votos a favor,
- o candidato é aceite como Presidente do Governo;
- senão, haverá nova votação 48 horas depois;
- se se verificar uma maioria absoluta ou simples (mais votos a favor que contra),
- o candidato é aceite como Presidente do Governo;
- senão, o Presidente do Congresso deverá levar ao Rei os resultados obtidos no Congresso e o Rei poderá propor outro candidato a Presidente do Governo.

Passados 60 dias da primeira votação, se ainda não tiver sido aprovado um candidato a Presidente do Governo, as Cortes Gerais são dissolvidas e serão marcadas novas eleições.

Com a atual correlação de forças no Congresso, que hipóteses existem?

1. O PP poderá formar Governo, se:
- de Ciudadanos, PSOE e Podemos, 2 destas formações se abstiverem ou votarem a favor;
2. O PSOE e Podemos poderão formar Governo se:
- fizerem um acordo parlamentar com os independentistas catalães, ou
- Ciudadanos se abstiver;
3. Haverá eleições em abril de 2016, se se não formar Governo até final de março.

Carlos Galrão
03.jan.2016

terça-feira, 29 de setembro de 2015

Independência na Catalunha?

Apresentando apenas os resultados para o Parlamento da Catalunha, desde 1980, o que ressalta é que a votação dos independentistas, que já andou por valores superiores a 50%, entre 1984 e 1995, agora até diminuiu ligeiramente:



De notar, o enorme aumento de votação do Ciutadans, fundado em 2006 por Albert Rivera, ex-membro do Partido Popular, partido que se define como social-democrata e federalista.


Carlos Galrão

28.set.2015


quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Augusto Canário nas Festas da Terrugem - vídeo

Vídeo do espetáculo de Augusto Canário nas Festas da Terrugem 2015:

video

Augusto Canário nas festas da Terrugem 2015

Augusto Canário é um artista popular de Viana do Castelo com mais de 30 anos de carreira, cuja música (e personalidade) é muitas vezes associada ao que se designou de "pimba".

Pessoalmente estamos em desacordo com esse "rótulo"- quem o viu, anónimo, no meio da multidão que festeja a noite minhota das Feiras Novas de Ponte de Lima (que começam amanhã mesmo), cantando à desgarrada com esse povo de que se orgulha de fazer parte, não pode deixar de nutrir admiração pelo homem e pela sua arte.

Deixamos já aqui um testemunho sobre Augusto Canário neste blogue em 
http://agazetasaloia.blogspot.pt/2014/09/augusto-canario-nas-feiras-novas.HTML,
bem como em alguns vídeos:
https://www.youtube.com/watch?v=6YHODDgvfDI
https://www.youtube.com/watch?v=K91EiwIWIPE
https://www.youtube.com/watch?v=Ni8aKx9oxCk
https://www.youtube.com/watch?v=G4p3uKAn1kQ

Na passada segunda-feira Augusto Canário esteve nas festas da Terrugem, Sintra. Algumas fotografias:

 O endereço do site oficial de Augusto Canário: http://www.augustocanario.pt/